Walfredo Gurgel qualifica dentistas para atuar em unidades hospitalares



Com o objetivo de formar cirurgiões dentistas para trabalhar no âmbito hospitalar, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) vem recebendo um grupo de 40 profissionais do quadro de servidores da Saúde Pública do RN para um estágio em atendimento a pacientes internos em unidades de tratamento intensivo e enfermarias. Pioneiro no Nordeste, o trabalho acontece sob a supervisão do Conselho de Odontologia do Rio Grande do Norte. As visitas acontecem duas vezes por semana (nas quintas e sextas-feiras), nos turnos da manhã e da tarde, a cada 15 dias. O serviço contempla apenas os doentes internados no hospital e não assiste a pacientes clínicos de demanda espontânea.

O presidente do Sindicato dos Odontologistas do Rio Grande do Norte (Soern), Ivan Farias, explica que nos EUA a prática de dentistas atuando ao lado de pacientes em unidades de saúde já existe há décadas. No Brasil, desde 2008 que o Projeto de Lei nº 2.776 tramita no Congresso Nacional. Aprovado em primeira instância, na última sexta-feira (04), pela Comissão de Assuntos Sociais, o projeto agora aguarda a sanção da presidenta, Dilma Rousseff, para que possa ser implantado ao redor do país.

O trabalho tem início com o exame da boca do paciente, em busca de focos de infecções e dentes a serem extraídos. Em seguida, são dadas orientações para a higiene bucal. A meta é eliminar bactérias que possam influenciar negativamente no tratamento administrado ao paciente.

“Na cavidade oral existem 50% das bactérias do organismo. É uma concentração muito grande e que não é debelada nos tratamentos comuns”, informa Ivan. Os benefícios das visitas também refletem positivamente na redução do tempo de internamento do paciente. “Nas UTIs, (local onde os doentes geralmente ficam por um longo período) há um gasto maior com o tratamento (antibióticos e exames, por exemplo) porque a microbiota oral é extremamente rica e virulenta”, afirma Ivan.

As infecções da boca, se não tratadas corretamente, podem complicar o já frágil estado de saúde do enfermo. Segundo a dentista, Teresa Neuma, que integra o Estratégia Saúde da Família (ESF) do bairro de Soledade I, na zona oeste de Natal, e é uma das integrantes do estágio no HMWG, “muitas doenças de base podem interferir na boca, como também doenças na língua podem interferir nas doenças sistêmicas”. A dentista acrescenta que quando se consegue implantar uma rotina de higienização bucal é possível diminuir o risco de contaminação do paciente.

De acordo com a preceptora do curso de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fátima Campos “Muitas vezes por não estarem se alimentando, alguns pacientes, acham que não precisam fazer uma higiene da boca. Isso é um erro. A gente vem mostrando isso. O biofilme continua sendo produzido, agregando bactéria. E essas bactérias podem atrapalhar a alta de alguns pacientes”.


Para outras informações: Assessoria de Imprensa 3232-7619

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